terça-feira, 9 de julho de 2013

Brasil vigiado.

Escândalo nos EUA confirma: “O Grande Irmão” nos vigia

Era uma questão de tempo a confirmação do que já desconfiávamos em relação ao controle de informações pessoais na internet. Graças a um funcionário terceirizado do Serviço da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, sabemos que somos vigiados e que a expressão liberdade individual necessita, mais uma vez, de um novo conceito, ou ser banida definitivamente de nossos dicionários.

A história Edward Snowden, o rapaz que entregou o esquema, é relativamente simples: um jovem de 29 anos inconformado com os programas de espionagens secretos de seu país e que resolve, por motivos morais, levar a público o que pode ser considerado invasão da vida privada. “Eu tinha acesso a todo tipo de informação e de qualquer pessoa na minha mesa de trabalho”, declarou Snowden em vídeo divulgado supostamente de Hong Kong e distribuído ao mundo inteiro por meio das agências internacionais de notícias. Ora, quando ele diz qualquer informação é qualquer informação mesmo, inclusive aquelas que protegemos com o uso de senha como, por exemplo, e-mails.

Um enorme problema ético, diplomático e político para o governo Obama, porém, um problema maior ainda para o simples cidadão que necessita da internet no seu dia-a-dia. Por isso, há de se efetuar uma profunda análise dos efeitos dessa mega vigilância digital em nossas vidas. Uma vigilância nunca antes possível, porque não havia meios para tal. É como se hoje ainda vivêssemos na Inquisição da Idade Média, mas não mais com medo do vizinho ou desafeto que nos vigiassem os passos, mas com medo de emitir a mais banal das opiniões nas redes sociais.



Essa questão é tão séria que vai além do controle das informações em nome de uma suposta segurança coletiva. Tal qual o governo dos EUA, grandes corporações também podem ter acesso às nossas informações e traçar inclusive nosso perfil psicológico, hábitos de consumo e comportamento, sexual, religioso, entre outros. É de se supor, portanto, que neste mundo globalizado e cercado de satélites, todo indivíduo pode ser localizado em coordenadas precisas, seja para o bem ou para o mal.

A pergunta que devemos estar fazendo é: como evitar que nossa vida seja bisbilhotada para todo e qualquer fim? A resposta não nos parece fácil, porque envolve conceitos de comunicação e avanços tecnológicos pertinentes a este século e jamais pensados durante a Revolução Francesa, quando se formularam os direitos fundamentais do homem, presentes em todas as constituições democráticas dos países ocidentais.

A resposta, ou respostas, a nosso ver, devem contemplar quatro atitudes coletivas e individuais. Primeira, teríamos que adaptar nossa legislação para os novos tempos, dizer o que pode e o que não pode em termos de sigilo de informações, sobremodo as pessoais; segunda, seria nos perguntar o quanto estamos dispostos à exposição em redes sociais – será que estou fazendo o certo deixando minha vida exposta dessa maneira? –; terceira, e talvez a mais importante, permitir, a partir de competente legislação, a criação de uma empresa pública ou privada para controle e registro de outras empresas que detenham acesso a nossos dados, para que eles não sejam negociados ou vendidos para fins que desconhecemos e sem a nossa anuência; e a última seria drástica, porém quase impossível, porque passaria por conhecimentos técnicos que a maioria dos usuários da internet não tem: a criação de programas individuais de comunicação e acesso ao mundo digital.

Não obstante esse quadro de horror e a solução que se dê, fato é que a ficção mais uma vez antecipou-se à história. Somos reféns do “Grande Irmão”, criatura fictícia no romance 1984 de George Orwell. A máxima do livro “Big Brother is watching you” (O Grande Irmão está te observando) nunca foi tão atual.

Agora, cabe-nos dizer, e de maneira contundente, que tamanho deve ser o olho desse ser que a tudo vê e a tudo pode controlar.
idg

Wanderson Castilho Especialista em crimes digitais e professor do BATI (Behaviour Analysis Training Institute) no Brasi

Um comentário:

Anônimo disse...

Sério e, embora invisível, não deixa de ser terrível.