terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Segurança Virtual

Segurança virtual e os jovens

O computador é, cada vez mais, uma ferramenta indispensável para os jovens em idade escolar, exigindo os professores, muitas vezes, que os trabalhos sejam feitos em computador, recorrendo os alunos frequentemente...



O computador é, cada vez mais, uma ferramenta indispensável para os jovens em idade escolar, exigindo os professores, muitas vezes, que os trabalhos sejam feitos em computador, recorrendo os alunos frequentemente à Internet para fazerem as suas pesquisas na tentativa de poupar horas de biblioteca. Esta situação implica que os jovens comecem a ter um contacto cada vez mais precoce com o mundo da informática. Mas será que estão preparados para esse contacto?

Colocar um computador à disposição de um jovem é mais do que ensiná-lo a usar as ferramentas de edição de texto ou imagem necessárias para os seus trabalhos escolares. A partir do momento em que a criança tem acesso à Internet é imperativo que ela tenha um conhecimento prévio dos perigos com que se pode deparar. Não o fazer seria semelhante a deixar uma criança sozinha numa cidade que não conhece: dificilmente saberia onde se dirigir, quais as zonas a evitar, quais as precauções a tomar...

Surge aqui uma outra questão: quem faz essa prevenção junto da criança? Os pais? Os educadores? Terão eles os conhecimentos necessários para o fazer?

São vários os problemas que se colocam quando as crianças usam computadores com acesso à Internet. O problema mais óbvio será, possivelmente, a possibilidade de acesso a conteúdos que não são adequados a crianças, como é o caso dos conteúdos violentos ou pornográficos. Há, também, a possibilidade de haver invasão de privacidade – seja por fornecer demasiados dados pessoais em sites, seja por ser vítima de partilha abusiva de ficheiros (em programas de partilha de ficheiros de música, por exemplo) o que, por sua vez, deixa os jovens mais vulneráveis a todo o tipo de “predadores” internautas e cyberbullies1. Não nos esqueçamos, ainda, da possibilidade de exposição a spam2, spyware3, phishing4 e todo o tipo de fraudes possíveis no espaço cibernético.

Quando nos confrontamos com todas estas possibilidades há que pensar em soluções: a mais óbvia será, porventura, a de monitorizar o computador em causa – embora esta seja uma solução a posteriori, sem carácter preventivo. Outra hipótese passa pela instalação de firewalls6 e programas de bloqueio a determinados sites. Há também quem opte por colocar o computador em áreas de acesso comum (como a sala, por exemplo), o que torna possível que todos presentes tenham visibilidade
em relação ao que acontece no monitor.

Estas soluções podem, à primeira vista, parecer viáveis e, nalguns casos, certamente que o serão. E quando os jovens percebem mais de informática do que os adultos? Voltamos à questão já anteriormente colocada: terão os pais e educadores os conhecimentos necessários para saberem lidar com os potenciais perigos do acesso à Internet? Nalguns casos, sim, mas noutros certamente
que não será assim. Um jovem que já esteja relativamente habituado a usar a Internet poderá, sem grande dificuldade, pesquisar formas de contornar ou desligar os bloqueios a sites e as firewalls. Também não é difícil imaginar que um jovem vá pedir ajuda a um amigo ou colega, mais experimanentado no uso da Internet, para saber como fazer face aquilo que, para ele, são meros entraves ao seu divertimento. Veja-se, a título de exemplo, o caso de Omar Khan, de 18 anos, que conseguiu aceder aos computadores da escola para modificar as suas notas de fim de ano lectivo, de modo a que passassem de F para A – o que seria equivalente, no sistema português, a passar de negativas a 20 valores. Se fizermos um paralelismo entre a segurança informática, aplicada aos jovens, e a segurança e saúde no trabalho, aplicada aos trabalhadores, não é difícil perceber que a prevenção é fundamental – estamos, mais uma vez, a falar de cultura de segurança. Ou seja, trata-se aqui de consciencializar os jovens no sentido de explicar os perigos inerentes à Internet, dialogando com eles - constantemente.



1 Cyberbullies – Praticantes de cyberbullying; de acordo com a definição do site www.stopcyberbullying.org o cyberbullying ocorre quando uma criança, pré-adolescente ou adolescente é atormentado, ameaçado, assediado, humilhado, envergonhado ou de outra forma considerado alvo por parte de outra criança, pré-adolescente ou adolescente usando a Internet, tecnologias interactivas e digitais ou telemóveis.
2 Spam – correio electrónico não solicitado, normalmente de cariz publicitário, enviado de forma massiva.
3 Spyware – aplicação automática de computador que colecta informações sobre o utilizador do computador, bem como os seus hábitos na Internet, passando essa informação a uma entidade externa, sem que o utilizador esteja consciente disso.
4 Phishing – tipo de fraude online em que, por meio de envio de spam, links para sites maliciosos, mensagens instantâneas e de e-mail se tenta que as pessoas revelem dados sigilosos, como seja o caso de cartões de crédito e números de contas bancárias, fazendo-se passar por entidades fidedignas.
5 Firewall – aplicação que visa restringir o acesso de terceiros a uma determinada rede ligada à Internet.



*Cátia Granadeiro

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